CANTANHEDE – Em uma decisão que aprofunda o abismo entre a elite política e a realidade da população, o prefeito de Cantanhede, José Martinho dos Santos Barros, sancionou a Lei Municipal nº 437/2024. A nova legislação estabelece um reajuste expressivo para os cargos do Executivo a partir de janeiro de 2025, elevando o salário do prefeito para R$ 28.000,00 mensais.
O valor impressiona não apenas pelo montante, mas pela comparação: o prefeito de uma cidade de 24 mil habitantes ganhará mais que o prefeito de São Luís, capital do estado, cujo subsídio gira em torno de R$ 25 mil.

Novos valores e impacto na folha
Além do prefeito, o primeiro escalão também foi contemplado com novos valores:
Vice-prefeito: R$ 18.000,00
Secretários Municipais: R$ 8.000,00
Secretários Adjuntos: R$ 4.000,00
O custo anual apenas com esses subsídios ultrapassará R$ 3 milhões, um impacto orçamentário que ignora as carências fundamentais do município.

Baixo desenvolvimento e desigualdade acentuada
O cenário de fartura para o Executivo contrasta drasticamente com os indicadores sociais de Cantanhede. Segundo os dados mais recentes do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), a cidade possui um índice de 0,565, classificado como Baixo Desenvolvimento.
Cantanhede ocupa a 124ª posição no ranking estadual entre os 217 municípios do Maranhão. Enquanto a gestão municipal garante salários de elite, a população convive com dificuldades históricas em áreas básicas.
O custo político vs. O investimento social
A desproporção fica clara ao comparar o gasto com os salários políticos e o orçamento destinado a pastas que deveriam fomentar o crescimento e a proteção social em 2025:
| Destinação de Recurso | Valor Anual (R$) |
| Folha de Pagamento (Prefeito, Vice e Secretários) | + de 3.000.000,00 |
| Secretaria Municipal de Agricultura | 1.395.000,00 |
| Secretaria Municipal da Mulher | 270.000,00 |
Análise: O valor gasto com o alto escalão é mais que o dobro do destinado à agricultura — setor essencial para a economia de uma cidade com baixo IDH — e mais de dez vezes superior ao orçamento da pasta que cuida de políticas para as mulheres.
Reações e Fiscalização
A sanção da lei ocorre em um momento de fragilidade nos serviços públicos. Moradores relatam falta de insumos em postos de saúde e problemas estruturais em escolas, o que elevou o tom das críticas nas redes sociais.
Entidades civis e lideranças locais já estudam acionar o Ministério Público para avaliar a legalidade e a moralidade do aumento, questionando se um município com indicadores de desenvolvimento tão baixos pode sustentar uma folha de pagamento para cargos políticos superior à de grandes centros urbanos.
Além do impacto imediato, a lei prevê a possibilidade de reajustes anuais por perdas inflacionárias, o que pode tornar a máquina pública ainda mais custosa ao longo dos próximos anos.










