A cidade de Coroatá, no Maranhão, será palco de uma expedição científica inédita em setembro, que promete projetar o estado no cenário internacional da paleontologia. Pesquisadores irão recuperar fósseis de uma nova espécie de espinossaurídeo, grupo de dinossauros carnívoros que intriga cientistas há mais de um século.
A missão será liderada pelo paleontólogo Rafael Lindoso, docente do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em parceria com o renomado paleontólogo Paul Sereno, professor da Universidade de Chicago e explorador da National Geographic. A iniciativa conta ainda com o apoio da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Um passo além da descoberta de 2016
Esta nova fase da pesquisa dá continuidade a um trabalho iniciado em 2016, quando um esqueleto parcialmente preservado de espinossaurídeo foi encontrado em Conceição, zona rural de Coroatá. O material, atualmente em estudo na UFMA, é considerado o mais completo já identificado em toda a América do Sul e representa uma espécie inédita.
Segundo o professor da UFMA Manuel Alfredo Medeiros, responsável pela primeira etapa, os fósseis permanecem em análise:
“Ele foi escavado, levado para UFMA e está sendo estudado ainda”, explicou.
Para o coordenador da atual expedição, a relevância da descoberta vai além da escavação:
“A missão não se restringe apenas a recuperar o material fóssil com precisão científica, mas também documentar e analisar os achados em um contexto mais amplo, oferecendo informações inéditas sobre a evolução, a ecologia e o comportamento desses predadores do período Cretáceo”, afirmou Rafael Lindoso.
Importância científica mundial
Fósseis de espinossaurídeos pertencentes a um único indivíduo são extremamente raros. O primeiro esqueleto parcial da espécie-tipo, descoberto no Egito em 1912, foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial. Desde então, fragmentos encontrados em países africanos como Marrocos, Níger e Argélia ajudaram a avançar o conhecimento sobre essa família de dinossauros.
O debate atual entre paleontólogos gira em torno dos hábitos do Spinosaurus: teria sido um animal semiaquático ou um mergulhador ativo? O exemplar encontrado em Coroatá pode ser peça-chave para responder a essa questão.
Maranhão como polo da Paleontologia
Para Lindoso, a descoberta pode transformar o Maranhão em referência internacional:
“O Maranhão tem potencial para se consolidar como uma das grandes referências em Paleontologia no Brasil e no mundo. A descoberta de uma nova espécie não apenas projeta o estado no cenário científico global, como também abre caminho para museus, centros de pesquisa e programas de formação que podem inspirar novas gerações de cientistas.”
Além de contribuir para a ciência mundial, o estudo ajudará a compreender a história da abertura do Atlântico e as conexões entre a fauna africana e sul-americana durante o período Cretáceo.
O professor Manuel Alfredo Medeiros reforça o impacto da cooperação internacional:
“A parceria com um grupo reconhecido mundialmente dá visibilidade ao Maranhão e amplia o respeito da comunidade científica internacional pelo nosso patrimônio fossilífero.”
Com essa iniciativa, Coroatá se firma como um dos pontos mais promissores da paleontologia mundial, unindo ciência, cultura e desenvolvimento regional sustentável.