MP dá 5 dias para a prefeitura de Buriticupu explicar destino de R$ 30 milhões em emendas parlamentares

O Promotor de Justiça Felipe Augusto Rotondo negou o pedido de dilação de prazo da Prefeitura, que alegou “entraves sistêmicos” para não detalhar gastos realizados entre 2020 e 2025.

BURITICUPU – A 1ª Promotoria de Justiça de Buriticupu subiu o tom contra a administração municipal nesta semana. Em decisão publicada no último dia 3 de março, o Ministério Público do Maranhão (MPMA) rejeitou um pedido de prorrogação de prazo feito pela Prefeitura e estabeleceu um limite de cinco dias úteis para que o município comprove a transparência de R$ 30.377.936,59 recebidos via emendas parlamentares.

A Origem do Conflito

O montante milionário é referente ao período de 2020 a 2025. Após uma recomendação anterior do MP, a Procuradoria Geral do Município tentou ganhar tempo, solicitando mais 30 dias para adequar o Portal da Transparência, alegando “entraves estruturais”.

O argumento, no entanto, não convenceu o promotor Felipe Augusto Rotondo. Segundo o despacho, a prefeitura falhou em demonstrar itens básicos de controle exigidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como a abertura de contas bancárias específicas para cada emenda e a identificação de quem foram os beneficiários finais do dinheiro.

Exigências da “Rastreabilidade”

A decisão fundamenta-se na ADPF 854 do STF, que obriga estados e municípios a adotarem um modelo rigoroso de rastreabilidade desde 1º de janeiro de 2026. Na prática, o MP quer saber:

  • Onde o dinheiro está: Comprovação de contas bancárias individuais para cada repasse.

  • Quem recebeu: Identificação completa dos beneficiários (empresas ou pessoas físicas).

  • Como foi gasto: Registro contábil detalhado e proibição de saques em espécie (“na boca do caixa”).

“Dificuldades técnicas não afastam obrigação constitucional nem suspendem decisão do Supremo Tribunal Federal”, afirmou o promotor na decisão.

Punições e Próximos Passos

Caso a prefeitura não apresente o plano de ação e os documentos exigidos no novo prazo, as consequências podem ser severas. O Ministério Público advertiu que poderá:

  1. Converter o procedimento em Inquérito Civil;

  2. Ajuizar uma Ação Civil Pública;

  3. Pedir o bloqueio imediato da execução de novas emendas para o ano de 2026.

O município também deverá esclarecer se houve o uso de “contas de passagem” e informar quais instituições financeiras gerenciam os recursos das emendas. Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Buriticupu não havia se manifestado publicamente sobre a nova determinação.